Nada dura para sempre

Jonathan Suzuki
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18/8/2019
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Tava olhando esse texto que escrevi em 2015 e fiquei perplexo tem tantas coisas acontecendo nele e mesmo tendo se passado 4 anos tudo ainda é muito real para mim.

O primeiro parágrafo está falando de uma das coisas que nessas últimas duas semanas vem acontecendo muito forte: nada dura para sempre.

A rotina, as pessoas que você conhece, os hábitos acumulados no meio do caminho, a segurança, o conforto das pessoas que você olha e define como sendo a sua verdade. Como sempre existirão fases: fases em que você sente as pessoas e a realidade a sua volta e deseja muito queria que isso fosse pra sempre. É aquele nível de confortável com um certo descobrimento, uma liberdade de saber que você é aceito como você é, que as pessoas a sua volta tem a sua peculiaridade, sua especialidade e você ama cada um daqueles detalhes. Naquele momento vocês, isso mesmo nós somos imbatíveis por nenhum motivo específico. Apenas somos.

Esse texto também continua: eu tive medo de me mudar. Mas não era um medo de que as coisas não iam dar certo, não era um medo de ficar longe dos pais, não era um medo de não que eu não ia aguentar, não era um medo de eu não ser capaz. Era um medo de perder os laços que eu tinha. Era um medo que na época não conseguia formalizar. Olhar na cara de cada uma das pessoas que eu conheci e falar tá tudo bem, eu não vou parar de ver vocês, eu não vou esquecer de vocês, mas os rolês e as conversas vão ser menos frequentes. E tá tudo bem.

Tudo volta pro sentimento que a vida ainda é feita de fases. Fases incríveis em que eu tive a oportunidade de interagir da minha maneira, talvez esquisita, talvez espontânea, talvez tranquila com pessoas que eu nunca iria conseguir conhecer estando em outro lugar.

Mas estando em outro lugar nós também conhecemos pessoas que nunca iríamos conhecer caso contrário e por isso tá tudo bem. Nenhuma das possibilidades é melhor ou pior. Elas apenas são possibilidades concretizadas em uma realidade. Gosto de acreditar (poderia ser fraseado como gosto de me enganar e estaria tão certo quanto, rs) que a realidade é sempre a melhor que as possibilidades.

E o terceiro parágrafo também não me desaponta: Ele fala sobre um momento de conflito, um conflito no que eu era, um conflito no que eu acreditava. Um esteriótipo. E ele esconde um pouquinho mais: o estereótipo não era do estudante nota 10. O conflito era em descobrir o que eu era sem a igreja para me guiar moralmente. O conflito era em olhar para os ultimos 19 anos da minha vida e admitir que eu não tinha certeza daquilo. O estereótipo era o do "bom cristão", não conseguia falar pra mim mesmo isso naquela época, me faltava maturidade então eu recorri (eu fugi) ao mais simples porém acreditável. O paralelo era fácil porque eram duas imagens que eram esperadas de mim.

Durante esses 4 anos eu mudei bastante, mas ao mesmo tempo não muito. As dores que me incomodavam ainda são muito reais. Ontem eu tive que falar de novo tá tudo bem para mais uma pessoa. E de verdade: tá tudo bem pessoas vem, pessoas vão. Não dá pra prendê-las. Não dá para julgar elas por tomarem a decisão certa (ainda que o certo seja relativo). Não dá para esperar que as coisas vão continuar do jeito que são pra sempre, mesmo que seja muito bom. Vou sentir saudades de infinitas coisas e desejar que elas nunca tivessem acabado, talvez a verdade é que nem sempre elas acabaram. Elas só se transformaram. Hoje ainda tenho dúvidas do que eu sou, hoje ainda estou me transformando assim como várias pessoas a minha volta também. Hoje acredito que arriscar mais é o que transforma mais possibilidades em realidade e hoje mais do que nunca gosto de acreditar que tá tudo bem porque eu adoraria ficar bravo ou triste, mas a parte importante de amar as pessoas é respeitar a decisão delas, no fundo gosto de acreditar que a decisão que elas tomam é a melhor decisão pra elas mesmas naquele momento.

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    © Jonathan Suzuki.