Uma experiência caricateca de thinking vs feeling

22/03/20203 Min Read — In reflexo, tipos de personalidade, 3am writings

Pra quem não sabe eu gosto bastante de tipos de personalidade e hoje vou compartilhar uma das experiências mais caricatecas (acho que inventei essa palavra, no sentido de caricatura) que eu tive na vida. Eu fiz uma matéria optativa na faculdade que tinha o nome de "Careers: New opportunities and development" ou algo do gênero.

Em uma das aulas a professora pediu pra que a gente fizesse o teste do mbti e na próxima aula a gente teria uma dinâmica e uma apresentação sobre aquilo.

No começo da aula com as pessoas tendo feito o teste, ela dividiu a gente em grupos com base no resultado dos testes, mas não falou como tinha sido feita a divisão. E deu um cartaz pra cada um dos grupos com uma única frase:

Descreva o que faria uma empresa ideal pra vocês.

Sentei com meu grupo e cada um de nós tão perdidos quanto os outros começamos a discutir o que que a empresa ideal faria. Discute pra cá discute pra lá e chegamos na conclusão que a empresa ideal ajudaria as pessoas. "Ela ajudaria como?" "Hmm... Não sei, mas a gente não precisa dizer como. Só o que ela faria." "Ela podia ser uma empresa que qualquer pessoa podia pedir ajuda dela, ai a gente avaliava se valia a pena, ia lá e resolvia o problema". Esses foram um pedaços dos diálogos que a gente teve. "Ah, puts e o que que a gente coloca no cartaz?" "Já sei vamos fazer o logo" "Vamos desenhar um planeta e a gente como um escudo" "Não sei desenhar isso"

"Que tal se a gente for um extintor apagando o fogo do mundo?"

A gente riu e concordou. Ficou um desenho admirável (claramente pelo esforço e não pelo resultado kkk). E foi isso o que a gente tinha no cartaz, o desenho do planeta terra pegando fogo e um extintor gigante apagando o fogo dele.

Começaram as apresentações dos outros grupos, no primeiro cartaz uma lista de coisas: horário flexível, boa remuneração, vestimenta casual, benefícios, plano de saúde. A gente se olhou e deu risada do quão diferente o nosso cartaz estava. O segundo grupo tinha um outro cartaz dessa vez divido em 4 quadrantes e cada um deles tinha mais ou menos as mesmas coisas do primeiro (horário flexível, ...), mas com uma ilustraçãozinha pra acompanhar, o terceiro era quase a mesma coisa, mas ele tinha um detalhe muito bom que era um escritório com comida de graça. A cada a apresentação que passava a gente se olhava e ria mais um pouco. Chegando a nossa vez apresentamos numa boa, mas era muito bom ver a reação das outras pessoas.

Acabou a dinâmica e a professora falou que tinha separado os grupos a partir da letra T(thinking)/F(feeling) do mbti. O primeiro grupo tinha sido exclusivamente T, os próximos 2 um mix e o nosso era só de pessoas F. Ela seguiu explicando que a principal diferença entre os dois é como as pessoas tomam as decisões. As pessoas do tipo thinking normalmente olham para a decisão que eles vão tomar e pensam: "Isso faz sentido?", "Essa é uma decisão justa?", "Essa decisão vai de acordo com as regras?". Já as pessoas do tipo feeling olham pra decisão e pensam: "Como as pessoas vão ser afetadas por isso?", "Elas vão se sentir bem?". Pessoas do tipo F provavelmente tomariam decisões contra regras se isso significasse que todo mundo sairia mais "confortável" (subjetivo) daquela situação. É importante deixar claro que o fato do tipo T normalmente fazer uma pergunta ou o F fazer outras não exclui que ambos conseguem fazer as mesmas perguntas e que elas conseguem tomar decisões que fogem um pouco do que seria esperado, é muito mais uma tendência e não uma regra.

Mesmo assim toda essa camada de se preocupar com as pessoas tava totalmente evidenciada nas nossas decisões de empresa ideal, inclusive nosso desenho foi uma caricatura perfeita do processo de decisão do nosso grupo. Acho que em nenhum momento a gente se ligou nos detalhes de como ia funcionar ou o que ia acontecer lá dentro, a principal coisa era como que essa empresa ia afetar as pessoas ao redor dela, não estavamos pensando se o horário ia ser flexível, queríamos muito mais que ela ajudasse as pessoas. Só sei que guardei o desenho até o final da graduação, achei que tivesse ele hoje, mas não consegui achar, deve ter ido no meio dos cadernos quando queimei (queria mas não fiz) me livrei deles.

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